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7 de maio de 2012
Educação
Neste mundo inacabado
Cada ser que surge
Cada coração que inicia
A sublime aventura humana
Desponta um botão de esperança
E um rebento de futuro
Começa a sonhar sua dita
A vida se abre em cada mão
Como um livro virgem
Aguardando as histórias
Que engrossarão seu tesouro
- Reinventa-me! - grita o mundo
- Dá-me novos significados! -
Clama a natureza expectante
Tu tens o poder da criatividade
Uma vida inédita por construir
Para enriquecer o eterno museu
Da nossa genialidade humana
Eu serei tua muleta nos primeiros passos
Uma bússola no oceano das tuas indecisões
O bandeirante no deserto da cotidianidade
O aconchego do lar quando voltes exausto
A força que te encorajará nas noites
E a experiência que te erguerá no fracasso
Eu serei teu EDUCADOR
31 de maio de 2011
Ainda cantamos, ainda pedimos, ainda sonhamos, ainda esperamos
Nos 60 anos do Colégio São Miguel Arcanjo.
Na voz da incomparável Mercedes Sosa escutaríamos: “Todavía cantamos, todavía pedimos, todavía soñamos, todavía esperamos”. Peço licença para usar a letra dessa maravilhosa música como suporte para a minha reflexão de hoje. (Continua...)
AINDA CANTAMOS
Depois de 60 anos de história, o Colégio São Miguel Arcanjo quer continuar cantando, jogando aos ventos belo-horizontinos os acordes e os ritmos da nossa missão. Recebemos uma bonita herança, uma sinfonia criada por séculos de esforços generosos, de idéias brilhantes, de tentativas, fracassos e sucessos, de nomes e de amores. Esta sinfonia escolápia canta a capacidade humana para recriar a vida e o mundo, para reinventar a sociedade e o futuro, para transformar a miséria em dignidade, a exclusão em justiça.
Queremos manter vivas as notas, o tempo e os compassos que compõem esta sinfonia educativa, evangelizadora e transformadora. Queremos conservar todas as vozes que deram vida a esta sinfonia, acrescentando outras novas, as vozes dos que hoje proclamamos que vale a pena educar libertando, abrindo horizontes na vida de crianças e jovens, oferecendo caminhos de realização pessoal e de construção social, mostrando modelos de verdadeira felicidade compartilhada com toda a humanidade.
AINDA PEDIMOS
Porque sabemos que sozinhos não daremos conta, pedimos, rogamos, suplicamos a colaboração de todos/as. Porque educar é uma responsabilidade social que nos compromete a todos/as.
Queremos contar com a ajuda da família: conheçam nossa missão, nossos valores, nossos projetos e caminhemos de mãos dadas. Reforcemo-nos mutuamente em nossos esforços. Empurremos na mesma direção e sentido, unifiquemos nossas linguagens, olhemos para o mesmo horizonte e rememos juntos nas mesmas águas.
Queremos e exigimos ajuda das instituições públicas e particulares. Não queremos continuar sendo “saco de pancada” de quem não ajuda e ainda atrapalha. Estou me referindo principalmente à mídia, que negocia com os dramas humanos e, afinal, acaba jogando a responsabilidade e a culpa sempre nas instituições educacionais.
Pedimos às autoridades públicas que reconheçam o valor da educação para construirmos um país melhor, que não continuem usando dela para fins políticos e privados.
AINDA SONHAMOS
Mesmo com os pés bem no chão, sendo realistas (não resignados, nem fatalistas), continuamos olhando o futuro com esperança e continuamos sonhando.
Sonhamos com um Colégio São Miguel que seja espaço para todos/as, mas espaço alternativo. Sonhamos com um ambiente de tolerância e paz, de respeito mútuo e crítica construtiva, de inclusão e solidariedade.
Sonhamos com a semente que cada dia colocamos no coração e na mente de crianças, adolescentes, jovens e de todas as pessoas que dão vida a esta família. Sonhamos com uma escola capaz de viver o que anuncia, que faça acontecer nela o que propõe para a vida das pessoas, que reconheça suas falhas e limitações, e que não esqueça nunca do horizonte: “evangelizar educando para transformar a sociedade”.
Sonhamos com educadores/as vocacionados/as, com famílias comprometidas, com funcionários/as identificados/as, com equipes dinâmicas e dinamizadoras, com projetos atualizados e práticos, com alunos/as dispostos a crescer e a aprender para iniciarem a aventura da vida com as melhores condições e a melhor consciência ética.
AINDA ESPERAMOS
Estamos convictos de que a melhor época do São Miguel ainda está por acontecer, não por desprezar a história recebida, da qual nos sentimos profundamente agradecidos/as, mas porque sabemos que ainda temos muitas ideias, projetos, anseios, esforços e sonhos por realizar.
Esperamos ainda que o São Miguel seja mais fiel à sua missão e identidade escolápia, seguindo o exemplo de Jesus de Nazaré e de São José de Calasanz. Esperamos, ainda, gerarmos muitos bons frutos, pessoas e projetos que sirvam para fazer acontecer aqui o Reino de paz e justiça que Deus quer para esta humanidade. Esperamos, ainda, servir por muito tempo para que as crianças de hoje e de amanhã sejam felizes amando e fazendo felizes as outras pessoas.
Esperamos ainda ver muitos/as ex-alunos/as trabalhando generosa e solidariamente para fazer deste mundo um lar para todos/as, mais justo e pacífico, mais digno e humano.
Esperamos e sabemos que comemoraremos muitos outros aniversários do São Miguel. Hoje são 60, prepararemos ansiosos os 100 anos, os 150... E como hoje comemoram conosco todos/as aqueles/as que passaram por aqui e deixaram sua vida, seus sonhos e seus esforços, desde o céu, junto a todos/as eles/as, com Calasanz e com Deus Pai-Mãe, continuaremos soprando velas e animando sonhos.
AINDA CANTAMOS
Depois de 60 anos de história, o Colégio São Miguel Arcanjo quer continuar cantando, jogando aos ventos belo-horizontinos os acordes e os ritmos da nossa missão. Recebemos uma bonita herança, uma sinfonia criada por séculos de esforços generosos, de idéias brilhantes, de tentativas, fracassos e sucessos, de nomes e de amores. Esta sinfonia escolápia canta a capacidade humana para recriar a vida e o mundo, para reinventar a sociedade e o futuro, para transformar a miséria em dignidade, a exclusão em justiça.
Queremos manter vivas as notas, o tempo e os compassos que compõem esta sinfonia educativa, evangelizadora e transformadora. Queremos conservar todas as vozes que deram vida a esta sinfonia, acrescentando outras novas, as vozes dos que hoje proclamamos que vale a pena educar libertando, abrindo horizontes na vida de crianças e jovens, oferecendo caminhos de realização pessoal e de construção social, mostrando modelos de verdadeira felicidade compartilhada com toda a humanidade.
AINDA PEDIMOS
Porque sabemos que sozinhos não daremos conta, pedimos, rogamos, suplicamos a colaboração de todos/as. Porque educar é uma responsabilidade social que nos compromete a todos/as.
Queremos contar com a ajuda da família: conheçam nossa missão, nossos valores, nossos projetos e caminhemos de mãos dadas. Reforcemo-nos mutuamente em nossos esforços. Empurremos na mesma direção e sentido, unifiquemos nossas linguagens, olhemos para o mesmo horizonte e rememos juntos nas mesmas águas.
Queremos e exigimos ajuda das instituições públicas e particulares. Não queremos continuar sendo “saco de pancada” de quem não ajuda e ainda atrapalha. Estou me referindo principalmente à mídia, que negocia com os dramas humanos e, afinal, acaba jogando a responsabilidade e a culpa sempre nas instituições educacionais.
Pedimos às autoridades públicas que reconheçam o valor da educação para construirmos um país melhor, que não continuem usando dela para fins políticos e privados.
AINDA SONHAMOS
Mesmo com os pés bem no chão, sendo realistas (não resignados, nem fatalistas), continuamos olhando o futuro com esperança e continuamos sonhando.
Sonhamos com um Colégio São Miguel que seja espaço para todos/as, mas espaço alternativo. Sonhamos com um ambiente de tolerância e paz, de respeito mútuo e crítica construtiva, de inclusão e solidariedade.
Sonhamos com a semente que cada dia colocamos no coração e na mente de crianças, adolescentes, jovens e de todas as pessoas que dão vida a esta família. Sonhamos com uma escola capaz de viver o que anuncia, que faça acontecer nela o que propõe para a vida das pessoas, que reconheça suas falhas e limitações, e que não esqueça nunca do horizonte: “evangelizar educando para transformar a sociedade”.
Sonhamos com educadores/as vocacionados/as, com famílias comprometidas, com funcionários/as identificados/as, com equipes dinâmicas e dinamizadoras, com projetos atualizados e práticos, com alunos/as dispostos a crescer e a aprender para iniciarem a aventura da vida com as melhores condições e a melhor consciência ética.
AINDA ESPERAMOS
Estamos convictos de que a melhor época do São Miguel ainda está por acontecer, não por desprezar a história recebida, da qual nos sentimos profundamente agradecidos/as, mas porque sabemos que ainda temos muitas ideias, projetos, anseios, esforços e sonhos por realizar.
Esperamos ainda que o São Miguel seja mais fiel à sua missão e identidade escolápia, seguindo o exemplo de Jesus de Nazaré e de São José de Calasanz. Esperamos, ainda, gerarmos muitos bons frutos, pessoas e projetos que sirvam para fazer acontecer aqui o Reino de paz e justiça que Deus quer para esta humanidade. Esperamos, ainda, servir por muito tempo para que as crianças de hoje e de amanhã sejam felizes amando e fazendo felizes as outras pessoas.
Esperamos ainda ver muitos/as ex-alunos/as trabalhando generosa e solidariamente para fazer deste mundo um lar para todos/as, mais justo e pacífico, mais digno e humano.
Esperamos e sabemos que comemoraremos muitos outros aniversários do São Miguel. Hoje são 60, prepararemos ansiosos os 100 anos, os 150... E como hoje comemoram conosco todos/as aqueles/as que passaram por aqui e deixaram sua vida, seus sonhos e seus esforços, desde o céu, junto a todos/as eles/as, com Calasanz e com Deus Pai-Mãe, continuaremos soprando velas e animando sonhos.
15 de dezembro de 2010
Quem sonha depois dos 60 anos?
Não é muito habitual encontrar pessoas com mais de 60 anos que ainda sonhem com a vida, o mundo, a história, o trabalho... Sonhar parece ser um costume (alguns falariam em doença ou, no melhor dos casos, defeito) da juventude. No entanto, sonhar é uma capacidade única do ser humano à qual não podemos nem devemos renunciar. (Continua)
Podemos sonhar para evadir o presente complicado e hostil, para fugir da realidade se refugiando num mundo bonitinho criado à medida dos meus desejos e ilusões, das minhas necessidades e das minhas frustrações.
Podemos sonhar também para construir uma imagem perfeita de mim mesmo, para criar a ilusão de que sou quem sempre quis ser, para disfarçar minha realidade tão pobre e imperfeita, para me convencer de que sou o que imagino ser.
Na pior das hipóteses, podemos sonhar com alucinógenos ideológicos ou religiosos, criando uma outra “irrealidade”, na qual encontramos consolo, justificação, força moral para continuar convencidos de que estamos no caminho certo e, por isso, somos melhores que os outros e, antes ou depois, a vida, ou a história, ou Deus nos recompensarão por isso.
Finalmente, podemos sonhar para idealizar, mental e afetivamente, o que o presente deveria ser, visualizando um novo horizonte de sentido que se transforme em referência e bússola para a realidade atual. Sonhar para exprimir até o limite as possibilidades do presente, projetando-as no futuro desejado, descobrindo ao mesmo tempo os passos a dar e os esforços a realizar. Sonhar para que o presente não nos afogue, apagando nossos fogos de juventude e nossos melhores sentimentos. Sonhar para não se conformar com o que as circunstâncias exigem de nós, para poder, se necessário, transformar as circunstâncias antes que elas nos deformem. Sonhar para que cada pequena ação, cada passo, palavra e gesto tenham uma mesma origem e um único fim. Sonhar para que os instintos mais animais não nos dominem e desumanizem. Sonhar para viver a vida, evitando que a realidade imposta e a opinião geral acabem vivendo nossa vida.
As instituições não são como as pessoas e, por estarem formadas por elas, deveriam ser suporte, refúgio e lançadeira para os sonhos, projetos e esforços dessas pessoas. As instituições não deveriam envelhecer, cansar ou renunciar aos seus sonhos fundacionais. Em cada etapa da história de uma instituição, as pessoas que lhe dão vida, atualizando sua missão, conservando seus valores e conquistando sua visão, são novas e, portanto, cheias de sonhos, vontade, energia e força. As instituições não são a soma das individualidades que fazem parte dela, mas um ser vivo que nasce e renasce, em cada momento histórico, a partir do que as pessoas oferecem, amam, sonham e entregam.
Infelizmente às vezes nos deparemos com instituições que enclaustram, abafam, aprisionam e mutilam as pessoas que as formam. Instituições que agem como se tivessem vida própria, engolindo energias e propostas, pessoas e idéias, projetos e sonhos. Instituições que parecem envelhecer se tornando fosseis ou múmias, ancoradas numa época que já não existe, olhando passar a história e julgando uma realidade que desconhecem e não amam. Conhecemos pessoas que são dessa forma, mas é triste quando as instituições acabam assim, porque acabam arrastando as pessoas que vivem e trabalham nela, e junto com as pessoas, afundam sonhos e bons projetos.
No 2011, o Colégio São Miguel Arcanjo celebrará 60 anos de existência. Seria, talvez, o momento de procurar a tranquilidade da terceira-idade, saboreando os frutos recolhidos, aproveitando a sabedoria adquirida e se acomodando no espaço conquistado. Mas não é assim que queremos comemorar esta data tão significativa. Quem hoje dá vida à missão escolápia no Colégio São Miguel não somos aqueles que o fundaram, várias gerações passaram já por este chão, deixando a marca de suas façanhas, seus êxitos e fracassos, levando com elas um pedacinho do coração deste colégio. Hoje o São Miguel existe pelos que aqui estamos, mas principalmente, pelos que continuamos sonhando que educar para libertar e transformar a vida de pessoas e da sociedade toda vale a pena, e por isso acordamos bem cedinho para empurrar o sol e fazer que chegue o dia esperado, o dia da nossa missão, o dia de dar vida (corpo, sangue, afeto e espírito) àquela brilhante intuição de Calasanz: se desde a mais terna infância, as crianças forem educadas na piedade e nas letras, poderemos esperar um futuro feliz para suas vidas e para a vida da sociedade que elas construirão.
Depois de 60 anos continuamos sonhando com um mundo melhor, mais humano e digno para toda a família humana, com uma sociedade mais justa e em paz, com umas famílias focadas no amor e na educação dos filhos. Sonhamos com uma escola nova, fazendo parte desta história, mas com uma atitude crítica e transformadora, uma escola laboratório de humanidade, de alteridade, de solidariedade. Sonhamos com uma educação que faça crescer as capacidades próprias de cada criança, em vez de uniformizá-las na mediocridade e na repetição de padrões fracassados. Sonhamos com um São Miguel que oferece o que nenhum outro colégio oferece, não por orgulho ou presunção de sermos o primeiro, mas porque amamos o que somos e o que deveríamos ser, o mais autêntico de nós, o que nos faz ser únicos e diferentes: o carisma herdado de Calasanz e atualizado com a vida dos que nos precederam. Sonhamos com um São Miguel que articule de forma efetiva e prática as três dimensões da nossa missão: evangelizar, educar e transformar. Sonhamos com a Família São Miguel, uma família de famílias, onde todos/as possam encontrar um lugar para crescer pessoalmente, para se comprometer com um mundo melhor, para viver e alimentar sua fé, para experimentar uma vida plena.
E sonhamos também, bom, na verdade já deixou de ser um sonho e, daqui a pouco, será uma realidade, com a Fraternidade Escolápia do Brasil. Pequenas comunidades cristãs enriquecidas com o carisma escolápio, partilhando a missão, espiritualidade e vida comunitária, desde todas as vocações e opções de vida. Uma experiência de vida cristã comunitária, adulta, profunda, significativa, integral para quem quiser aprofundar na sua vocação e vivência cristã, com o carisma escolápio como fio comum que costurará uma bonita colcha de retalhos, respeitando e aproveitando as diferenças e peculiaridades de cada pessoa.
Neste ano que comemoramos 60 anos nos sentimos mais jovens que nunca, cheios de energia, ideias, sonhos e projetos. E queremos que esta força que sentimos se contagie por todas as pessoas que fazem parte desta família. Somos e queremos ser muito mais que um colégio, queremos ser um espaço físico e humano seguro e alternativo, o laboratório de uma sociedade melhor, uma grande família de famílias, uma verdadeira comunidade eclesial onde experimentar a presença de Jesus Cristo, o amor fraterno que nos convoca e o Reino de paz e justiça que nos provoca.
Estão todos/as convidados/as para a nossa festa de aniversário.
23 de outubro de 2010
Palestra: "Reavivar minha vocação de educador/a".
Disponibilizo aqui o material da palestra oferecida em Pouso Alegre, no evento organizado pela Secretaria de Educação como homenagem a professores/as da rede municipal. Trata-se da última apresentação das três que foram usadas, com o título "Reavivar minha vocação de educador/a", em formato PDF. Clicar aqui.
24 de setembro de 2010
Projeto Social do Colégio São Miguel Arcanjo
Quero partilhar aqui esta apresentação do Projeto Social colégio São Miguel Arcanjo, aprovado este ano e que já está sendo desenvolvido. As experiências interessantes devem ser partilhadas. Por isso convido os leitores deste blog para que comentem, sugiram, proponham, ou para que partilhem outras experiências e projetos. Para assistir carregar a apresentação e avançar manualmente clicando na seta preta (recomendo ativar fullscreen em More).
2 de agosto de 2010
Escolápios - Brasil
Carregar clicando na seta preta. Recomenda-se visualizar "Fullscreen" (em More) e avançar manualmente.
20 de novembro de 2009
Começamos? (nos aproximando do fim do ano letivo)
O fim deste ano letivo se aproxima (o tempo passa voando quando bem aproveitado), mas a nossa missão (evangelizar educando para transformar a sociedade e construir um mundo melhor) apenas está começando...
Educar é suscitar, descobrir e acompanhar o crescimento do melhor que cada pessoa leva dentro de si. A escola de hoje não pode renunciar ao desafio da integralidade de sua proposta educativa. Uma escola que instrua sem formar, que capacite sem ensinar a discernir, que preencha de conteúdos, esquecendo-se da pessoa toda, é uma escola destinada ao fracasso, talvez não da escola mesma, mas das pessoas que nela se formam e, principalmente, da sociedade que essas pessoas construirão.
Muito mais que uma profissão ou uma tarefa, educar é uma missão. O educador deve colocar a totalidade de seu ser (saberes, capacidades, atitudes, afetos, energias...) a serviço do seu labor. Ensinar ou, na pior das situações, instruir, é mais fácil e não exige tanto assim, mas ensinar é só uma pequenininha parte da ação educativa, que mais que ação é relação. Na educação, educador (seja professor, pai ou mãe) e educando se abrem a um relacionamento de aprendizagem mútuo, descobrindo novos desafios, procurando recursos adquiridos para enfrentá-los e desenvolvendo destrezas novas para superá-los. A relação educativa exige do educador uma disponibilidade que vai além do horário, do conteúdo, da estrutura física e do rol. Também do educando exige-se essa mesma disponibilidade para que possa embarcar com entusiasmo na aventura da vida.
Educar tem muito a ver com o trabalho constante, despercebido e generoso do camponês. Com esforçado e paciente esmero, se colocam hoje as sementes que, se tudo der certo, algum dia germinarão e, quem sabe, até cheguem a dar fruto. Sem o sacrifício de hoje, às vezes cansativo e pouco valorizado, será impossível curtir amanhã as flores e frutos que, de tão belos, nos farão esquecer o esforço realizado. O educador sabe qual é a sua parte, que não é pequena nem insignificante, bem pelo contrário, mas também sabe e aceita que muitas coisas não dependem dele. Quem se entregou em cada pequena ação, cada pequeno gesto, cada pequena rotina, pode dormir tranquilo e com a consciência em paz... Mas quem pode afirmar que realmente entregou o melhor de si em cada pequena coisa que fez?
A relação educativa nos coloca a todos, educadores e educandos, diante de um grande desafio: transcender o momento presente (pessoal e social) para intuir um futuro melhor (seja próximo ou distante), aceitando o processo necessário para transformar a intuição em realidade ou, colocando as palavras em outra ordem, para deixar que a intuição transforme a realidade. Pode parecer complexo, mas, aprender não é isso mesmo? A aprendizagem começa por desejar uma experiência (seja um conceito, capacidade, destreza, atitude, logro...), inalcançável com os recursos pessoais que neste momento possuo, aceitando que tenho de realizar um esforço para desenvolver ou aumentar esses recursos (com novos conceitos, capacidades, destrezas, atitudes e logros) a fim de atingir o objetivo procurado, e realizando esse mesmo esforço. Podemos aplicar esta definição a uma operação matemática, à resolução de um problema ético ou à construção de um projeto de vida.
Tanto quem educa como quem é educado se coloca diante do dilema: ficar como está ou iniciar o processo de transformação para chegar a um futuro melhor, mais completo e feliz. Nossa verdadeira felicidade encontra-se no amanhã sonhado e desejado, e no processo de construção desse amanhã, nunca no presente limitado, imperfeito e fungível. A pessoa é um ser projetado (Heidegger), que encontra o sentido de sua vida no que está por descobrir e construir. Viver sem projetar a própria vida, conformando-se com o presente imediato, significa renunciar ao melhor de si mesmo, abdicar da própria humanização. Humanizamo-nos (tornamo-nos mais humanos) quando, olhando além da realidade imediata, descobrimos o que podemos chegar a ser e começamos a caminhar.
Retomando as ideias até agora expostas, nos atrevemos a afirmar: educa quem acredita que podemos ser muito melhores e mais felizes do que agora somos e, por isso, coloca toda sua vida a serviço daqueles que apenas estão começando a construir seu futuro, para, juntos, descobrir e desfrutar da felicidade que se encontra na autossuperação, no esforço por ser cada dia mais e melhor, na aventura de viver construindo o amanhã.
Acaba sim o ano letivo, o tempo do trabalho específico e intensivo, mas é agora que começa a aventura e o desafio da verdadeira educação: saberemos todos nós, educadores e educandos, aproveitar este ano que está acabando (com todos os esforços realizados, todas as propostas oferecidas e todos os problemas superados) para sermos pessoas mais plenas e humanas, para projetarmos num amanhã mais feliz e para começar a caminhar rumo a esse futuro melhor para todos? Saberemos viver nossa vida toda desde a missão que abraçamos, nos aventurando no mundo da transformação constante (minha, dos outros, da sociedade, do mundo...), da auto-superação, do inconformismo, da crítica construtiva e empática, da fraternidade solidária?
Acabamos um ano letivo, mas a vida letiva continua e, para muitos (crianças, pré-adolescentes e adolescentes) apenas começa... Estamos dispostos a viver sempre começando com eles?
1 de outubro de 2009
Outra educação é possível.
A nossa razão de ser é educar pessoas livres, integralmente formadas para serem responsáveis, competentes e felizes em todas as dimensões de sua realidade pessoal e de sua vida, com um projeto de vida inspirado nos valores de Jesus de Nazaré (justiça, paz, fraternidade), sujeitos de uma sociedade mais justa e solidária ...
"No mundo dos deuses primeiros, os que formaram o mundo, tudo é sonho. E a terra em que vivemos e morremos é um grande espelho do sonho no qual vivem os deuses. Vivem todos juntos os grandes deuses. Bem juntinhos estão. Não há uns acima e outros abaixo. É a injustiça, quando vira governo, a que desarticula o mundo, colocando uns poucos acima e uns muitos abaixo. Não assim no mundo verdadeiro, o grande espelho do sonho dos deuses primeiros, quem formaram um mundo grande onde todos entram juntos e iguais. Não é como o mundo de agora, feito cada vez mais pequenininho para que uns poucos fiquem acima e muitos fiquem embaixo. O mundo de agora não é um bom espelho, não reflete o mundo de sonhos onde moram os deuses primeiros.
Os deuses deram como presente aos homens um espelho chamado ‘dignidade’. Nele os homens se percebem iguais, tornando-se rebeldes quando deixam de sê-lo. Foi assim que começou a rebeldia dos nossos primeiros avôs, os que hoje morrem em nós para que vivamos.
O espelho da dignidade serve para derrotar os demônios que espalham a escuridão. Se olhado no espelho, o senhor da escuridão aparece refletido como a nada que a forma. Como se fosse nada, o ‘desigualador’ do mundo torna-se nada diante do espelho da dignidade o senhor da escuridão.
Quatro pontos colocaram os deuses para o mundo permanecer deitado. Não porque estivesse cansado, senão para que iguais caminhassem sempre homens e mulheres, para todos terem lugar, para ninguém passar por cima do outro. Dos pontos colocaram os deuses para poder voar ou para ficar na terra. Outro ponto colocaram os deuses para os homens e mulheres verdadeiros puder caminhar. Sete são os pontos que dão sentido ao mundo e trabalho aos homens e mulheres verdadeiros: na frente e atrás, de um e do outro lado, acima e embaixo, e o sétimo, é o caminho que sonhamos, o destino dos homens e mulheres verdadeiros.
Uma lua em cada seio ofereceram os deuses às mulheres mães, para alimentarem com sonhos os homens e mulheres novos. Com eles se conserva viva a história e a memória, sem eles nos devoram a morte e o esquecimento. Há na terra, nossa grande mãe, dois seios para que os homens e mulheres apreendam a sonhar. Aprendendo a sonhar apreendem a ser grandes, a ser dignos, a lutar. Por isso, quando os homens e mulheres verdadeiros querem dizer ‘vamos sonhar’, falam: ‘vamos lutar’" (Subc. Marcos - Chiapas, México).
A globalização oficial (e comercial) nos oferece continuamente um único modelo de pessoa, de sociedade, de cultura, de mercado, de pensamento, de felicidade... E nós, ávidos consumidores de novidades, compramos pensando ser o primeiro, o original e único, e realmente é um modelo único, não por sua exclusividade, mas por ser o mesmo para todos os homens e mulheres deste mundo, pelo menos para todos aqueles com capacidade e vontade para comprar.
No meio dessa globalização do ‘modelo único’ é agradável escutar vozes dissonantes, nos convidando a refletir, nos questionando nos nossos fundamentos existenciais, nos oferecendo a possibilidade de enxergar e interpretar o mundo desde um ponto de vista diferente do oficial. E talvez nos perguntemos: o que tudo isto tem a ver com a gente? Resposta telegráfica desde as chaves da nossa identidade: Colégio São Miguel Arcanjo (“Educar é libertar”) dos Padres Escolápios (“Educar evangelizando para transformar a sociedade”).
A nossa razão de ser é educar pessoas livres, integralmente formadas para serem responsáveis, competentes e felizes em todas as dimensões de sua realidade pessoal e de sua vida, com um projeto de vida inspirado nos valores de Jesus de Nazaré (justiça, paz, fraternidade), sujeitos de uma sociedade mais justa e solidária.
E daí nasce o questionamento: será que estamos educando na esperança e com a convicção de que um mundo melhor é possível, que uma pessoa mais livre e feliz é possível? Será que queremos alimentar com sonhos o coração das crianças e jovens, ou estamos, talvez sem sermos conscientes, tão empanturrados do modelo único que já não sabemos nem podemos enxergar a realidade com outros olhos? Realmente nos interessa que este mundo mude ou é melhor deixar ele assim como está?
O modelo único (de pessoa, sociedade, mundo, política, economia, pensamento, felicidade, diversão, escola...) vai se impondo também no mundo educativo (sempre disfarçado, com diferentes aparências e nomes), nos colocando, sem percebermos, no caminho único da concorrência empresarial, da excelência mercantilista, da mediocridade existencial.
Os que sonhamos, acreditamos e trabalhamos por uma pessoa e um mundo melhor para todos os homens e mulheres devemos estar de olho, porque até a educação (“melhor forma de servir a Deus, fazendo o bem às crianças mais pobres”, em palavras de São José de Calasanz), semente de um futuro melhor, pode se transformar facilmente numa fábrica de clones, reproduzindo a mesma realidade que questionamos.
Que São José de Calasanz (pedagogo e evangelizador incansável, inovador, criativo e sempre insatisfeito reformador) nos conserve a fé e o esforço por fazer acontecer o Reino de Deus através da educação.
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