24 de novembro de 2010

Canta

quando a noite te abrace com seu hálito funesto
e um frio mórbido abafe teu grito eterno
quando o medo ofusque teu coração meigo
e espessas nuvens escuras pressagiem tormento

quando as flores noturnas poluam teus sonhos
e as estrelas se contorçam num cintilar de prantos
quando as trilhas se percam entre pedras e espinhos
e as sombras proclamem assustadores augúrios

canta!
canta o canto da lua e dos mundos
o canto que não tem limite nem motivos

canta!
canta os ritmos da terra e dos povos
os ritmos sofridos de ancestrais anseios

canta!
canta a melodia do vento e dos mares
a melodia do sangue vertido em amores

21 de novembro de 2010

Uma ferida abriu-se no meu peito

Uma ferida abriu-se no meu peito
Uma fenda de dor e tristeza
E como um vulcão, expele de mim
O que me sustenta e anima

A esperança que me mantém firme
Acordando minhas forças para a vida
Impulsionando-me a novos voos
E me libertando dos erros de cada dia

A confiança na vida e nos sonhos
Que me ampara nas tempestades
Firmando os pés e os ânimos
Na bondade e beleza das novidades

O amor pelo que faço e pelo que posso ser
Pelas pessoas que comigo lutam
Pelos esforços que darão seus frutos
Pelas vidas que silenciosamente se doam

Uma ferida abriu-se no meu peito
Uma incisão de frustração e agonia
Por onde entrou, sem licença, o medo
E fugiu, deixando só remorso, a alegria

16 de novembro de 2010

O nascimento de uma flor

Delicada e indefesa
a pequena flor brotou

Com esforço e sofrimento
desdobrou-se para ver o sol

Entre espinhos, ventos, chuvas
o seu perfume exalou

Não temas!
Cochichou a terra.

Não renuncies!
Vozeou o sol.

E uma humilde borboleta,
no seu gracioso vagar

Aproximou-se com carinho
e num sussurro declarou

Sonha, luta, ama!
Não tens limites, senão o céu

Eu serei tuas asas
quando o fogo ameaçar

Eu serei teu fôlego
quando a seca te abafar

Eu te darei minha vida
quando o vento te arrancar

e num abraço eterno
nos fundiremos no amor

4 de novembro de 2010

De nomes repleto

Quando a noite se aquieta e o silêncio me invade,
quando a escuridão nos obriga a esse tempo de espera,
sozinho, tateando, visualizo seus rostos, me surgem mil nomes.

São meus amores, que me acompanham e velam,
que me arrulham e ninam, com cantos de memória,
com melodias gravadas no íntimo da minha história,
me devolvendo a identidade no caminho perdida.

São meus amores, que me lembram que vivo,
que me devolvem aos antigos caminhos
e me abrem a novas paisagens, dizendo: “adiante!
sempre além, pois no extremo, no topo, alguém nos espera”.

São meus amores, com quem saboreio a vida,
que me mostram a profundeza e largura do sentir humano,
que me enchem e transbordam sem fraude nem mercado,
que, caladinhos, tecem o mundo com fios de afeto.

São meus amores, que me lançam ao mundo,
me oferecendo o rumo, a mão e o alento,
transformando em direito o que até agora foi um luxo,
afirmando que o amor é possível graças Àquele que nos amou primeiro.

4/11/2010